Por que idosos são os principais alvos de golpes bancários?

Por que idosos são os principais alvos de golpes bancários?

Por que idosos são os principais alvos de golpes bancários?

Os golpes bancários têm atingido públicos diversos, mas pessoas idosas figuram entre os alvos mais recorrentes. Essa realidade não está ligada apenas à idade em si, mas a um conjunto de fatores sociais, tecnológicos e emocionais que aumentam a vulnerabilidade desse grupo.

Sob a ótica jurídica, a proteção dos idosos é reforçada tanto pelo Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) quanto pelos princípios do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), que reconhece a vulnerabilidade do consumidor nas relações de consumo. Quando essas duas condições se somam — idade e relação com instituições financeiras — o cuidado precisa ser redobrado.

A confiança como porta de entrada para fraudes

Muitos golpes bancários partem de uma abordagem baseada na confiança. Golpistas se apresentam como funcionários de bancos, representantes de órgãos públicos ou até familiares em situação de emergência. Pessoas idosas, por valorizarem relações formais e demonstrarem maior disposição ao diálogo, acabam sendo mais suscetíveis a esse tipo de manipulação.

Além disso, a comunicação dos golpistas costuma ser envolvida em urgência e autoridade, elementos que pressionam a vítima a agir rapidamente, sem tempo para verificar a veracidade das informações.

Desafios na familiaridade com tecnologias digitais

Outro fator relevante é a relação com os meios digitais. Embora muitos idosos utilizem aplicativos bancários e serviços on-line, nem todos se sentem plenamente seguros nesse ambiente. Isso pode dificultar a identificação de sinais de fraude, como links falsos, páginas clonadas ou pedidos indevidos de confirmação de dados.

A legislação impõe às instituições financeiras o dever de oferecer canais seguros e informações claras sobre o uso de seus serviços, mas a adaptação tecnológica ainda é um desafio para parte dessa população.

Situações de vulnerabilidade emocional e social

Momentos de fragilidade emocional — como problemas de saúde, luto ou solidão — também podem ser explorados por golpistas. A sensação de urgência ou de ajuda imediata costuma ser usada como estratégia para convencer a vítima a realizar transferências ou fornecer informações sigilosas.

Esse contexto reforça a importância de uma rede de apoio familiar e social, bem como de orientações preventivas sobre segurança bancária.

O dever de proteção e a análise jurídica dos casos

Quando ocorre um golpe envolvendo pessoa idosa, a análise jurídica leva em conta não apenas a fraude em si, mas também as circunstâncias em que ela aconteceu. A responsabilidade de instituições financeiras pode ser avaliada, especialmente se houver indícios de falha na segurança, ausência de mecanismos de alerta ou deficiência na informação prestada ao cliente.

Cada caso, no entanto, exige avaliação técnica específica, considerando provas, registros de atendimento e a forma como a fraude foi viabilizada.

Informação como forma de proteção

A conscientização é uma das ferramentas mais eficazes para reduzir riscos. Conversas em família sobre segurança digital, atenção a contatos suspeitos e orientação sobre como funcionam os procedimentos bancários ajudam a criar um ambiente mais seguro.

O Direito, nesse cenário, atua como instrumento de proteção e equilíbrio, buscando assegurar que a tecnologia e os serviços financeiros sejam utilizados de forma segura e responsável por todos os públicos.

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